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O TEMPO DA FIGUEIRA

  Vivemos cercados por notícias difíceis: crises, doenças e violência estão em todo lugar. Diante de tanto caos, é natural nos perguntarmos por que essas coisas acontecem e assim tentarmos descobrir quem são os responsáveis por tanto sofrimento.   Esses questionamentos não são novos; eles já ecoavam nos dias de Yeshua. Por isso, a passagem de Lucas 13:1–9 permanece tão viva e urgente, confrontando diretamente a realidade em que vivemos hoje.   Tragédias não são um tribunal moral   O texto em análise começa com pessoas trazendo a Yeshua notícias de tragédias reais. Alguns galileus haviam sido mortos por ordem de Pilatos, e seu sangue foi misturado aos sacrifícios que ofereciam. Em seguida, Yeshua menciona outro evento: a queda da torre de Siloé, que matou dezoito pessoas.   A pergunta implícita era clara: essas pessoas morreram assim porque eram mais pecadoras?   Essa lógica ainda existe hoje. Quando algo ruim acontece, é comum ouvirmos...
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YESHUA ERA RICO? O QUE A BÍBLIA REALMENTE ENSINA

Ao longo dos anos, algumas pessoas passaram a afirmar que Yeshua teria sido um homem rico. Essa ideia, porém, não nasce da Sagrada Escritura, nem da tradição judaica do século I. Ela surge de leituras superficiais, inferências frágeis e, muitas vezes, de tentativas modernas de associar fé com prosperidade material.   Quando examinamos o texto bíblico com atenção — e também o contexto judaico em que Yeshua viveu — o quadro apresentado é muito diferente.   O testemunho direto da Escritura   A Bíblia mostra que Yeshua nasceu em condições humildes. Ele veio ao mundo em uma manjedoura (Lucas 2:7), e quando seus pais o apresentaram no Templo, ofereceram duas rolas ou dois pombinhos, a oferta permitida às famílias pobres (Levítico 12:8; Lucas 2:24). Se fossem ricos, teriam oferecido um cordeiro.   Durante seu ministério, Yeshua viveu como rabino itinerante, sem propriedades, dependendo da hospitalidade e do sustento de discípulos — algo comum no Judaísmo do ...

O ARGUMENTO ANTI-MISSIONÁRIO DESMONTADO: A PROVA BÍBLICA DA DIVINDADE DE YESHUA

  Muitas vezes, ao estudarmos sobre Yeshua (Jesus), somos confrontados com o argumento de que Ele não é divino. A ideia é que Ele seria apenas um homem justo, um profeta especial, ou, no máximo, "alguém vindo de Deus, mas não Deus" .   Mas será que essa lógica se sustenta quando olhamos para o que as próprias Escrituras afirmam?   Neste estudo, vamos refutar essa ideia de forma clara, bíblica e irrefutável, focando nas Suas próprias palavras e no entendimento de Seus contemporâneos.   1. O Senhor dos Profetas: O Lamento de Yeshua   Vamos começar com a história que Yeshua conta em Mateus 21: A Parábola da Vinha.   Yeshua descreve um dono de vinha (Elohim) que envia seus Servos (os profetas) para Israel. Os lavradores (a liderança de Israel) maltratam, ferem e matam esses Servos. Por fim, o Dono envia Seu Filho, que também é rejeitado e morto.   Essa parábola é a história espiritual de Israel:   Elohim envia profetas ...

O CHAMADO DE AGEU

    O livro do profeta Ageu é um dos menores da Tanach, mas a sua mensagem é de uma profundidade impressionante, especialmente o capítulo 1, onde o profeta convoca o povo de Israel a refletir sobre as consequências de sua negligência espiritual. O cenário é o retorno do exílio babilônico. Os judeus estavam de volta à sua terra, porém, em vez de restaurarem o Templo de YHWH, haviam se dedicado em primeiro lugar às suas próprias casas, negócios e interesses pessoais. Foi nesse contexto que veio a palavra de YHWH por meio de Ageu:   Ora, pois, assim diz YHWH Tzeva’ot: Considerai os vossos caminhos. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado. Assim diz YHWH Tzeva’ot: Considerai os vossos caminhos. Ageu 1:5–7   O profeta revela aqui uma realidade desconfortável: o povo trabalhava, mas sem fruto; buscava satisfação, mas perm...

A CORAGEM DE ABANDONAR O ÓDIO

  O ódio é uma emoção poderosa, capaz de consumir não apenas a quem o odeia, mas também a sociedade como um todo. Em uma era marcada por conflitos étnicos e religiosos, a mensagem da porção da Torá, a Parashá Ki Tetzê, soa mais relevante do que nunca. Nela, Moshê (Moisés) instrui o povo de Israel com uma ordem surpreendente:   Não abominarás o edomita, pois é teu irmão; nem abominarás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra. Deuteronômio 23:7   Essa ordem pode parecer simples à primeira vista, mas carrega uma profundidade imensa, especialmente considerando o contexto histórico. O povo egípcio, sob o domínio do Faraó, havia escravizado os israelitas, submetendo-os a um regime brutal de trabalho forçado e, em um ato de genocídio, ordenou que todos os meninos hebreus fossem jogados no Nilo.   Como, então, a Torá poderia instruir o povo a não odiar seus opressores?   O rabino Jonathan Sacks, em sua análise perspicaz [1] , oferece a chave p...

UM MITO QUE INSISTE EM SOBREVIVER

    A crença na Terra plana, apesar das esmagadoras evidências em contrário, continua a cativar uma pequena, mas vocal, parcela da população. Este artigo busca desmistificar essa noção, utilizando uma abordagem multifacetada que abrange a sabedoria da tradição judaica, a clareza das Escrituras Sagradas, as incontestáveis descobertas da ciência e, por fim, uma análise dos fatores psicológicos que perpetuam essa crença.   A Perspectiva Judaica: Um Universo Esférico e Infinito   A tradição judaica, com sua rica tapeçaria de textos e interpretações, oferece uma visão de um universo complexo e esférico, que se distancia radicalmente da concepção de uma Terra plana. As fontes clássicas e medievais frequentemente descrevem os céus e a Terra como esféricos, em harmonia com as observações astronômicas da época.   Maimônides (Rabino Moshe ben Maimon), um dos maiores pensadores judeus da Idade Média, em sua obra " Mishneh Torá ", aborda a astronomia com um ri...

OUVIDOS QUE ESCUTAM, CORAÇÕES QUE JULGAM

  A Parashá Shoftim (Devarim 16:18–21:9) oferece um conjunto fascinante de orientações para construir uma sociedade justa: magistrados, profetas, reis, cidades de refúgio, regras de testemunho, procedimentos de guerra e soluções para assassinatos não resolvidos formam a espinha dorsal da sociedade israelita [1] .  Em essência, trata-se de um manual prático para a vida comunitária e pessoal, mas que transcende a simples organização social, revelando-se como uma fonte profunda de sabedoria ética e espiritual, capaz de moldar corações, orientar decisões e alinhar a justiça humana com os valores eternos de Elohim.   Justiça que se Ouve e se Vive   Moisés começa esta porção ordenando juízes em cada cidade, exigindo que sejam imparciais e acessíveis. “ Tzedek tzedek tirdof ” — “justiça, justiça perseguirás” — é o fio condutor: a lei deve ser aplicada com integridade e sensibilidade, sem privilégios ou medo.   Essa visão ecoa não só nos ensinamentos rabí...