Estamos em dias intensos. O
calendário marca Carnaval — ruas cheias, música alta, fantasias, desfiles. Para
muitos, é apenas festa. Para outros, tradição. Para alguns, liberdade.
Mas para quem caminha com Yeshua
e deseja permanecer fiel às Escrituras, este também é tempo de olhar para
dentro e perguntar: onde está meu coração?
O livro de Apocalipse foi escrito
em meio à pressão, sedução cultural e opressão ideológica. Seus símbolos não se
limitavam apenas ao Império Romano do primeiro século. Eles revelam padrões
espirituais que ressurgem ao longo da história. Roma caiu. Babilônia histórica
desapareceu. Mas o espírito que as movia ainda continua vivo.
Hoje, em pleno Carnaval, vale
perguntar: o que realmente mudou?
Roma não era apenas um Império
— Era um Estilo de Vida
Quando o apóstolo Yochanan (João)
escreveu Apocalipse, o Império Romano dominava o mundo conhecido. Mas Roma não
governava só pela força das legiões; governava pela sedução cultural, pelo
controle econômico e pela exigência de lealdade absoluta.
Havia o culto ao imperador. Não
era só religião — era política, economia, identidade. Dizer "César é
senhor" era jurar fidelidade ao sistema. Recusar custava exclusão social,
perseguição e, muitas vezes, a própria vida.
Em Apocalipse, Roma é simbolizada
como "Babilônia". Isso não foi por acaso. Babilônia, no Tanakh,
representa o sistema que desafia o governo do Eterno, que seduz, oprime e
corrompe.
A questão nunca foi apenas
política. Sempre foi espiritual.
Babilônia Como Modelo de
Sociedade
Nos capítulos 17 e 18 de Apocalipse,
Babilônia é descrita como:
·
Rica e influente
·
Sedutora e embriagante
·
Luxuosa, mas exploradora
·
Corrompida até a medula
Ela embriaga as nações. Seduz os
reis. Vive no luxo enquanto devora os pequenos.
Mas isso não é só sobre uma
cidade antiga. É sobre um modelo de sociedade onde:
·
O prazer é o valor
supremo
·
O consumo vira
identidade
·
A moral se dissolve
·
Elohim se torna
irrelevante
O Carnaval e a Suspensão
Temporária da Consciência
Historicamente, o Carnaval nasceu
na Europa medieval como celebração antes da Quaresma. A própria palavra está
ligada à ideia de "despedida da carne" — um último suspiro de prazer
antes da abstinência religiosa.
Com o tempo, especialmente no
Brasil, tornou-se fenômeno cultural gigantesco. Movimenta bilhões, atrai
milhões, mobiliza cidades inteiras.
Mas além da economia, há um
aspecto simbólico que não podemos ignorar:
O Carnaval se tornou sinônimo de
suspensão das normas morais. É o tempo do "vale tudo". A fantasia
descaracteriza a identidade. A embriaguez é normalizada. A sensualidade é
exaltada. O excesso é celebrado.
Não estamos falando apenas de
festa. Estamos falando de mentalidade.
Pão e Circo — A Receita que
Nunca Envelhece
Roma oferecia "pão e
circo" para manter o povo satisfeito e distraído. Jogos, espetáculos,
violência pública, entretenimento sem pausa. O objetivo? Manter as massas
ocupadas, anestesiadas, incapazes de questionar.
Hoje vivemos algo
assustadoramente semelhante. Não só no Carnaval, mas de forma contínua:
·
Hiperentretenimento
constante
·
Cultura do excesso
·
Busca insaciável por
prazer
·
Relativização da
kedushah (santidade)
O problema não é a alegria. Elohim
criou a alegria! O problema é quando o prazer se torna um ídolo.
A Sedução é Mais Perigosa que
a Perseguição
No primeiro século, cristãos
enfrentavam perseguição direta. Hoje, em muitos lugares, a estratégia mudou.
Não há violência explícita — há sedução cultural.
- Não é preciso proibir a
fé; basta torná-la irrelevante.
- Não é preciso prender o
crente; basta distraí-lo.
- Não é necessário forçar
alguém a negar o Eterno; basta oferecer entretenimento suficiente para que Ele
deixe de ser prioridade.
É exatamente isso que Apocalispe
descreve quando fala que "os habitantes da terra se maravilharam" com
a besta. Ela não governa só pelo medo. Governa pelo encantamento.
O Espírito do Nosso Tempo
Se analisarmos as características
de Roma e Babilônia, encontramos paralelos inquietantes na sociedade atual:
·
Centralização de poder e
controle
·
Economia que escraviza
·
Cultura obcecada por
consumo
·
Exaltação da
sensualidade
·
Desprezo pela kedushah
·
Normalização do pecado
O Carnaval não criou esses
elementos. Ele apenas os amplifica e os expõe sem filtros.
É como se, por alguns dias, o que
já mora no coração humano fosse vivido sem máscaras — ironicamente, usando
fantasias.
Kedushah Não é Isolamento — É
Distinção
Muitos confundem santidade com
isolamento social. Não é isso. Yeshua esteve entre pecadores, comeu com
cobradores de impostos, conversou com samaritanos. Mas nunca foi moldado pelo
pecado.
Kedushah significa
separação para YHWH, não separação dos outros.
Durante o Carnaval, o desafio não
é apenas "ir ou não ir". O desafio é discernir qual espírito
está sendo celebrado.
As Escrituras nos chamam a não
nos conformarmos com este olam (mundo/era). Isso exige vigilância espiritual,
autocontrole e maturidade.
A Verdadeira Liberdade
O mundo associa liberdade à
ausência de limites. A Bíblia associa liberdade à libertação do pecado.
O Carnaval é frequentemente
vendido como expressão máxima de liberdade. Mas liberdade que depende de
embriaguez, descontrole e sensualidade é realmente liberdade? Ou é apenas outra
forma de escravidão?
Apocalipse mostra que Babilônia
oferece prazer imediato, mas termina em ruína. Parece forte. Parece invencível.
Mas cai de forma repentina e violenta.
Perseverança em Meio à Sedução
O livro de Apocaslipse repete uma
expressão preciosa: "Aqui está a perseverança dos kedoshim
(santos)".
Perseverar não significa apenas
sobreviver à perseguição aberta. Significa permanecer fiel em meio à sedução
sutil.
Hoje, a pressão não é só externa.
É cultural, ambiental, constante, invisível.
Vivemos conectados, expostos,
influenciados 24 horas por dia.
Roma Caiu. Babilônia Cai. O
Reino Permanece.
Impérios passam. Sistemas
desmoronam. Modismos mudam. Mas o Malchut Elohim (Reino de Elohim) permanece.
Apocalispe não é apenas livro de
juízo. É livro de esperança. Mostra que todo sistema que se levanta contra o
Eterno tem seus dias contados.
O que está em jogo não é apenas
comportamento externo. É lealdade do coração.
Roma exigia lealdade ao
imperador. O sistema atual exige lealdade aos seus valores. Mas o talmid
declara outra coisa:
Yeshua Hu Adon —
Yeshua é Senhor.
Em dias de Carnaval, essa
confissão ganha peso ainda maior. Não porque a festa seja o pior problema do
mundo, mas porque simboliza algo mais profundo: a disputa pelo coração humano.
E o lev não pode servir a dois
senhores.
Conclusão
Se você segue Yeshua, este não é
tempo de julgamento dos outros — é tempo de discernimento próprio.
Não é tempo de superioridade
espiritual — é tempo de vigilância humilde. Não é tempo de medo cultural — é
tempo de firmeza espiritual.
Roma parecia eterna. Não era.
Babilônia parecia invencível. Não
era.
O sistema atual parece dominante.
Também não será.
O que permanece é o Reino.
E a pergunta final não é sobre
Carnaval. É sobre fidelidade.
Em meio ao barulho, às luzes e à
euforia, a voz da Ruach ainda sussurra no silêncio do seu quarto: "Permaneça
fiel."
Que, quando o Ben HaAdam (Filho
do Homem) vier, encontre emunah (fé) na terra — e no seu coração.
Shalom!
Francisco Adriano Germano

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