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A FIDELIDADE AO SACRIFÍCIO DIVINO

    A palavra hebraica Torah ( תּוֹרָה ) é frequentemente traduzida de forma imprecisa como “Lei” em diversas versões da Bíblia. No entanto, seu significado original vai além dessa interpretação limitada. O termo deriva da raiz hebraica Yarah ( יָרָה ), que carrega o sentido de "lançar uma flecha em direção a um alvo" ou, de maneira mais específica, "acertar o centro do alvo". Assim, Torah não se restringe à ideia de um conjunto de normas legais, mas abrange um conceito mais amplo de ensino, instrução e orientação, fornecendo diretrizes para que as pessoas vivam de acordo com a vontade divina.   Ela deve ser compreendida, de forma mais precisa, como a orientação divina para a vida humana, ou seja, o ensinamento de Elohim à humanidade. Mais do que um simples conjunto de normas jurídicas, a Torá representa um guia espiritual e moral. No hebraico, existem termos específicos para designar mandamentos legais, decretos divinos e outras prescrições, os quais, em...
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RECONSTRUINDO A FÉ ATRAVÉS DO SACRIFÍCIO DO MESSIAS

  Na parashá desta semana, a análise dos regulamentos referentes aos sacrifícios prossegue, elucidando as normas que governavam tais rituais. À primeira vista, o foco parece recair exclusivamente sobre os kohanim , os sacerdotes oficiantes. Contudo, surge um questionamento pertinente: qual a relevância desta porção da Torá para os crentes hoje?   Esta porção da Torá ainda é muito relevante para nós. Além de nossa crença de que Yeshua é divino, que Ele é o Messias e o Filho do Elohim vivo, também O vemos como o sumo sacerdote.   Hebreus capítulo 8 explica isso muito bem:   Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, 2  Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem. 3  Porque todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; por isso era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer. 4...

O TERCEIRO TEMPLO E A PROFECIA: UM RITUAL QUE PODE REDEFINIR A HISTÓRIA

Nas próximas semanas, um acontecimento de grande relevância espiritual e geopolítica poderá marcar um novo capítulo na história de Israel e do Oriente Médio. Autoridades religiosas israelenses planejam realizar o aguardado sacrifício da novilha vermelha, um ritual ancestral descrito no livro de Números 19:2-10 , essencial para a purificação ritual e diretamente associado à reconstrução do Terceiro Templo — um elemento central nas profecias escatológicas judaicas.   Atualmente, um grande altar branco está em construção na Cidade Velha de Jerusalém, preparando o cenário para uma cerimônia que não ocorre desde os tempos bíblicos. O local escolhido para o rito, o Monte das Oliveiras, é estratégico e altamente sensível, situado em frente ao Monte do Templo, onde se encontram a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha — dois dos locais mais sagrados do islamismo. A realização do sacrifício nesse contexto pode intensificar tensões religiosas e políticas, com possíveis repercussões no e...

A VISÃO PROFÉTICA DO SACRIFÍCIO

    Sacrifícios, o assunto da parashá desta semana, eram centrais para a vida religiosa do Israel bíblico. Vemos isso não apenas pelo espaço dedicado a eles na Torá, mas também pelo fato de que ocupam seu livro central, Vayikra (Levítico).   A prática de sacrifícios rituais cessou com a destruição do Segundo Templo, há quase dois milênios. Contudo, a crítica aos sacrifícios, proferida pelos Profetas do Primeiro Templo, permanece profundamente relevante. Essa crítica, incisiva e penetrante, constitui a base de muitos de seus discursos mais eloquentes.   Um dos primeiros foi proferido pelo Profeta Samuel:   O Senhor se deleita em holocaustos e sacrifícios tanto quanto na obediência à ordem do Senhor? Certamente, a obediência é melhor do que o sacrifício, a submissão do que a gordura de carneiros (1 Samuel 15:22).   Amós disse:   Se vocês me oferecerem holocaustos — ou suas ofertas de manjares — eu não os aceitarei; não darei atenção...

FAÇA O QUE TEM QUE SER FEITO

    A história que reproduzirei a seguir foi contada pelo Rav Israel Spira zt"l (Polônia, 1889 - EUA, 1989), o Rebe de Bluzhov, que a testemunhou no Campo de Concentração de Janowska:   Todos os dias, ao amanhecer, os alemães nos levavam para fora do acampamento, para um dia de trabalho pesado que só terminava ao anoitecer. Cada dupla de trabalhadores recebia uma enorme serra e deveria cortar sua cota de toras. Por causa das condições terríveis e da fome, a maioria de nós mal conseguia ficar de pé. Mas nós serrávamos, sabendo que nossas vidas dependiam daquilo. Qualquer um que desmaiasse no trabalho ou deixasse de cumprir sua cota diária era morto na hora.   Um dia, enquanto eu puxava e empurrava a serra pesada com meu parceiro, fui abordado por uma jovem da nossa equipe de trabalho. A palidez em seu rosto mostrava que ela estava extremamente fraca.   - Rebe - sussurrou ela para mim - você tem uma faca?   Imediatamente entendi sua intenção...

UM PRESENTE QUE ELEVA

  A ideia de construir uma casa para Elohim nos leva a questionar: como podemos sequer imaginar conter o Infinito em algo tão limitado? É um conceito que se autocontradiz.   O Rei Salomão ressaltou esse ponto quando inaugurou o Primeiro Templo:   Mas Elohim realmente habitará na terra? Os céus, mesmo o céu mais altos, não podem contê-Lo. Quanto menos esta casa que eu construí! I Reis 8:27   Assim escreveu Isaías em nome do próprio Elohim:   O céu é o meu trono, e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa vocês podem construir para mim? Onde será o meu lugar de descanso? Isaías 66:1   Não só parece impossível construir um lar para Elohim. Deveria ser desnecessário. Ele pode ser acessado em qualquer lugar, tão prontamente no poço mais profundo quanto na montanha mais alta, em uma favela da cidade quanto em um palácio forrado de mármore e ouro.   YHWH não vive em edifícios, mas nos construtores. Ele não vive em estruturas de...

A MARCA DA ESCRAVIDÃO

    Na parashá Yitró da semana passada, as Aseret Hadibrot (“Dez Pronunciamentos”), ou como são conhecidos popularmente - Dez Mandamentos - foram expressos como princípios gerais. Agora na parashá Mishpatim vêm os detalhes. Aqui está como eles começam:   Se você comprar um servo hebreu, ele servirá você por seis anos. Mas no sétimo ano, ele será liberto, sem pagar nada [...] Mas se o servo declarar: 'Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos e não quero ser liberto', então seu senhor deverá levá-lo perante os juízes. Ele o levará até a porta ou o batente da porta e furará sua orelha com uma sovela. Então ele será seu servo por toda a vida. Êxodo 21:2-6   Por que começar com esta lei? Entre 613 mandamentos, por que o primeiro código de leis completo na Torá, começa aqui?   A resposta é igualmente óbvia. Os israelitas acabaram de suportar a escravidão no Egito. Deve haver uma razão para isso ter acontecido, pois Elohim sabia que isso acontecer...